Vi-a no metrô

Vi-a no metrô:
sentada, os olhos fechados,
sobre o colo o mp3.

Não me viu – mas eu a via.
(Castanhos os seus cabelos,
tatuada a pele clara)

Permanecia assim:
qual fosse uma escultura,
inerte – entregue à música
velada em seu segredo.

No Largo do Machado
desci, sem perturbá-la.
Impassível!
               Quantos mais
de longe a contemplaram?


Henrique Marques-Samyn