O errante de Irajá

Nas ruas de Irajá,
            solitário,
            escuro o semblante,
vagava entre as sombras noturnas.

Ainda que o vissem,
            ignoravam-no:
de longe o fitavam, temerosos
– sestro vulto, entregue à errância
como um louco ou condenado.

De onde viera,
            não se soube;
jamais se soube o seu nome.

(o que um dia o perseguiu
caro pagou a ousadia:

            diante do cemitério,
            o corpo – sem olhos – jazia)


Henrique Marques-Samyn