Na barraca, na Taquara,
a placa: “Sopas e caldos”.
Sentado à mesa de plástico,
magro e envelhecido,
sorve a sopa de ervilha –
fitam os olhos humilhados
o casal de namorados
que ri, na mesa ao lado.
Solitário e magro, leva
à boca a espessa sopa,
insossa e acinzentada:
cansado, o corpo curvado
suporta o enorme peso
dos erros do passado.
Henrique Marques-Samyn



