Aos assassinos

Vós, que andais pelas sombras,
sorrateiros, à minha espreita,
à espera do exato momento
em que, numa destas esquinas,
serei vossa fácil presa –

vós, que vagais silentes
                      pelas ruas de Barros Filho,
                      pela praia de Ipanema,
                      pela Avenida Brasil –
misturados a tantos outros,
caminhando a passos leves,
sem despertar suspeitas:

tendes a lâmina escura
oculta entre os trajes limpos;
tendes os olhos sedentos
do meu sangue – eu vos aguardo,
sempiternos assassinos!


Henrique Marques-Samyn