Na rua Dias da Cruz – ou seria
na 24 de Maio? – eu a vi:
veloz ela vinha, evitando a gente
que afoita a cercava: o mundo se abria,
solente, aos seus pés; e ela, indiferente,
seguia – imponente, o olhar no horizonte:
que majestade a envolvia, a mulher
que aura feroz emanava! Entretanto,
foi-se – quando quis: entre a gente, ao longe,
esvaneceu-se – sem qualquer aviso:
deixando um resto de encanto nos homens,
e, nas mulheres, amargos sorrisos.
Henrique Marques-Samyn



