A um jovem no Jacarezinho

dorme no banco da praça –
ele, ainda tão jovem:
consumido pelo cansaço,
o corpo frágil, magro, arfante,
tem os pés sujos, tem as mãos sujas;
sobre o peito semidespido pousam pequenos insetos:
o rosto, agora suave, parece já livre do veneno
que cheira todos os dias: precisa dele para viver.
Precisa da morte para viver.


Henrique Marques-Samyn