Um bar em Cascadura

Brancas mesas de plástico
pela calçada; sobre as mesas,
copos e várias garrafas
entre os aperitivos

– e o homem que sussurra
nos ouvidos da mulata, que
puxa com mãos afoitas
o curto vermelho vestido;
e a gorda mulher que canta
diante do videoquê, e o
velho que espalha os olhos
sobre as pernas da mulata;
e um bêbado solitário
sentado na calçada, que
chora, sem que ninguém
perceba –
               que não é nada:
que é apenas outra noite
e este é apenas mais um bar:

um bar em Cascadura.


Henrique Marques-Samyn